Colaboração é legal, mas péra...
Diz-se que a tal da "sociedade do espetáculo", tão criticada pela escola de Frankfurt e pensadores como Adorno e Horckheimer, exige um "espectador". E na pós-modernidade, a colaboração impera. Ponha os "ex-espectadores" para publicar, transmitir, divulgar, veicular e pronto —você terá uma sociedade livre. Representantes de minorias adoram o discurso.
E agora vem uma banda norte-americana, o Dream Theater, convidar fãs a participarem de seu novo álbum. Estão à procura de um grupo de 30 a 40 pessoas para "gritar" em uma das músicas . "Às 14h desta sexta, dia 26 de janeiro, vamos deixar um grupo de fãs entrar no estúdio [Avatar Studios - 441 W. 53rd St, Nova York] e gritar um pouco para nós", diz o baterista, Mike Portnoy. Adoro os caras. Mas a não ser que façam com isso uma baita crítica à banalização da colaboração, terei perdido o respeito.
É engraçado como o conceito de "colaboração" corre o risco de se tornar mais um elemento de controle dentro de grandes estruturas da mídia. Grava-se um CD, divulga-se por grandes selos. Publica-se em um blog ou site de jornalismo cidadão, moderado por um grande portal. Tudo bem que não é a colaboração que trará a liberdade de discurso —ela é apenas um formato, que pode permanecer vazio sem que haja fomentação da educação e do desenvolvimento cultural em países que derrapam no limiar do trabalho-sobrevivência, como o Brasil. Mas colaboração controlada também não amadurecerá nada senão o circuito dos grandes meios.
"Lucky fans", diz o baterista. E certamente são. Ainda espectadores.
Um comentário:
Depois de "globalição" e "holístico", eis a hora da "colaboração"...
No mundo atual, "dominar um conceito" parece sinônimo de "banalizá-lo a ponto de desvinculá-lo de sua origem".
Ah, e não posso deixar de rir do Dream Theater: Que poser!!! :-P
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